2 de junho no mar

Ja faz dias que estou navegando no nada…

E eu ainda teimo em te chamar de amor

Pelos indicativos do sol e do mar a volta, 2 de junho

No pouco tempo que estivemos abraçados naquela cama imaginária, você me contava que era sua primavera.

Contava num misto de sorriso e peso, como se um disjuntor desligasse do nada e lembrasse que aquela cama imaginária não existisse.

Tudo ilusão, fuga, desespero para correr desse vale de neblina e se jogar em mim como fosse eu o tudo.

Mas, você partiu. Ou ao menos o pouco da sanidade de seu sentimento foi disfarçado entre risadas nervosas para tentar sufocar a batida do seu coração que senti perto mesmo longe.

Tão pouco convivemos conectados por fios, cabos óticos e essas coisas virtuais como fossemos um só mesmo.

Tudo era intenso, dos corpos e das almas, das palavras aos quereres.

Eu bato nas madeiras do barquinho. Olho para o céu com raiva

“Deus! Por que você cria um sacramento para fazer sofrer quem você algema por um dito amor?”

“Era esse o sinal que você me prometia em oração? Ficar longe de quem queria em meu mundo?”

“Você não me responde?”

É, quando se está no mar olhando sereias a distância sorrindo ou te ignorando por ídolos falsos, não é fácil sentir-se sozinho

Pior: deitar-se a noite gélida do mar sabendo que o barco sacoleja, e nada te esquenta, te inspira ou te aquece.

Quando alguém me pergunta sobre amor, me calo. Porque, naturalmente, é teu nome que surge primeiro.

Eu teimava em não me despedir de ti, mas é como se algo teu saísse voando por pura proibição de você viver isto

De sair daquela bendita pedra fria e imóvel que se tornou a ilha das aparências que te cercam.

Não, nunca deixei de pensar em ti.

O sorriso moleca, faceiro e poético me acorda toda manhã quando o mar é calmo e frio.

Eu fico procurando abraços perdidos para chamar ele de “teu abraço”, mas não são iguais ao seu

O seu? Nunca provei! Do teu abraço, da tua voz ao vivo.

Do teu beijo

Do teu corpo suave e curvas que deliravam-se no imaginário.

Tudo isso ficaram nestes papéis largados embaixo do pequeno convés.

Minhas poesias cessaram, e o último girassol que te dediquei, espero eu, esteja vivo.

Enquanto isso tento remar sem deixar as lágrimas de raiva e tristeza encherem ainda mais o mar abaixo.

Algumas pessoas vão embora da nossa vida, mas nunca saem da nossa história.

E você, eu não queria que saísse da minha vida e história jamais.

Namoro

Véu e grinalda em girassóis

Escritora

O verdadeiro amor que Deus queria.

É… logo, dependendo do vento marinho, serei só mais um enfeitiçado pela sereia

Mas você me disse, em epístola: “continuo sendo o capítulo que nunca conseguiu terminar de ler”.

E hoje, é dia 02 de junho

Feliz aniversário, amor

Eu navego aqui atrás daquelas coisas do tempo

O tempo que tem, ou tinha, dessas.

De um dia, encarar nos olhos em um outro dia 02 de junho e dizer.

Eu te amo…

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